Liberdade na vida, é ter um amor pra se prender – pra se perder

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Comecei a escrever sobre o amor desde que era apenas um feto, no útero da minha mãe. Não que eu seja o tipo perfeito de “romântica estereotipada”, eu sou normal.

Nunca atravessei o mundo pra ir atrás de alguém por mais que as minhas emoções ganhasse vida própria e fizesse as minhas malas por mim. Não sou do time das que se derretem com flores e serenatas em janelas lá pelas tantas. Não me importo se o pedido de desculpas não vier pendurando numa cesta de chocolates e corações de papel.  Nunca implorei por provas de amor ou demonstrações publicas de carinho.

Sou adepta aos amores simples. O amor que segura a minha mão para atravessar a rua, como o meu pai já fez um dia. Um amor que escute o que tenho a dizer e que se não achar palavras de compreensão para me devolver que, apenas, compartilhe um silencio duplo comigo. Um amor que recoste na minha parede de sensações e resolve ficar por que quer. Um amor com asas para ir onde que o vento for e escolha prender-se dentro de um riso meu.

Todas as vezes que escrevi sobre o amor, eu nunca deixei claro de que forma de amor é que eu estava contando – por dislexia sentimental da minha parte mesmo. Eu não sei o que é amor, eu só sei que já senti por algumas horas, ou dias ou vidas. Só sei que estou aqui pra isso. A questão é onde que eu posso encontrar alguém que caiba em mim? é que amar é caber. Às vezes, eu penso que de tanto falar sobre paixões, relacionamentos e afins, eu me torno cada dia o tipo de pessoa que conta histórias de amor sem nunca na vida saber se já protagonizou uma ou não.

É assim, a gente nasce, cresce, reproduz, envelhece e depois morre. Foi assim que nos ensinaram na escola, acontece com as plantas, com os animais e com todo mundo. Mas a vida não é tão mecânica quanto pensa. Se eu pudesse implantar uma lei educacional, eu incluiria em todos os períodos escolares e facultativos da vida, a matéria “manual de sobrevivência em si mesmo”. Primeiro porque, saber da vida dos outros é fácil. Julgar as escolhas alheias, a gente tira de letra. Mas e quanto a nossa mania de autossabotagem, hein?

Aristóteles disse que, a democracia surgiu quando, devido ao fato de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si.

O que me faz pensar que, nós é que nos igualamos. Quando julgamos alguém, na verdade, estamos admitindo os nossos próprios defeitos em cima do erro do outro. Porque, desde que o mundo é mundo, errar é humano. E nessas horas somos todos humanos. Quem não?

Então, com tão pouco conhecimento que eu tenho nas relações sentimentais românticas, eu me permito dizer que, nós não precisamos revirar o mundo atrás de alguém que não nos queira. Fazer o quê? A gente não pode monopolizar a cabeça de ninguém. Coração não é brinquedo de criança. E falo do coração que a gente desenha no jardim da infância e não desse que bate e apanha. Inclusive, nesta mesma infância, nós aprendemos qual o formato de um coração, nos disseram que era vermelho e tem uma grande capacidade para comportar o maior numero de pessoas possíveis. Eu lembro de uma vez que pintei o meu de amarelo, a minha professora chamou a minha atenção e disse que eu estava usando o lápis errado para aquele desenho, eu fiquei triste porque, o amarelo, é uma cor feliz e me fazia lembrar do sol, que representa praia e fim de ano regado à diversão e muito sorvete. Desde aí, eu aprendi que o amor só tinha uma cor e esta era VERMELHA.

Eu passei boa parte da minha vida com o vermelho na cabeça, até crescer e descobri que também era a cor do sinal do semáforo de PARE. Cresci mais e entendi que a minha conta bancária quando estourada também entrava no vermelho. Comecei a encucar com o amor e com as coisas  do coração. Não quero um amor vermelho. Não quero algo que me ordene a parar antes que eu seja atropelada por algum veiculo desgovernado. Não desejo me envolver numa relação em que eu tenha que repensar os meus gastos emocionais, eu não sei lidar com certos limites. Se bem que, às vezes, é preciso.

Pra ser sincera, eu só quero amar. Eu quero beijos que atravessem a alma, eu quero risadas infinitas sobre coisas das quais não faça o mínimo de sentido, eu quero ter alguém que eu possa ir atrás e ir à frente. Alguém que me desarme e me ajude a descobrir uma maneira de encontrar a minha própria paz mundial dentro de quem me ama. E quem não quer? Que me atirem a primeira perda que não quer! Pode ser qualquer tipo de perda, desde a de tempo até as de sanidade mental. Estou aqui é pra isso. Por mais reclamona que eu seja, eu ainda sou o tipo de pessoa que não tem medo de se jogar de cabeça em tudo que possa me aplicar injeções de ânimos.

E é por isso que já entrei em várias fossas que, aliás, numa dessas, eu conheci Caetano, que me ensinou que quando a gente gosta, é claro que a gente cuida. Em outra, Quintana, enquanto secava as minhas lágrimas me disse que, a coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo. E quem diria, talvez, se não fosse uma dessas fossas, Freud, nunca me diria que, a felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.

A minha mãe diz que amor, é coisa de poeta. Eu, segui o pensamento da minha mãe e decidi que, um dia, ainda conheceria todos os poetas do mundo pra perguntar pra eles se existe algum manual pra eu seguir – amando alguém sem que eu sinta essa sensação de fim – em cada começo de amor que eu me envolvo. Ou, simplesmente, viveria de escrever e poria no papel toda a minha posição sobre tal assunto, mesmo não tendo nem um embasamento pra isso.

Mas, olhe, eu continuo procurando como uma criança que procurar a cor certa pra pintar a caricatura de alguma coisa. Eu estou munida de cores e posso até não levar muita fé nas flores, mas, um dia desses, eu ainda caiu numa armadilha amorosa e lá é que vou encontrar um alguém que me faça pedir para não sair. Porque, Fabricio Carpinejar, contou pra mim que, liberdade na vida, é ter um amor pra se prender. E como havia dito anteriormente, eu só quero amar. Estou aqui pra isso.

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