Ela é de lua com ascendente em loucura

Ela não é prosa, nem poesia. Meia dúzia de palavras bonitas e frescas passa longe de traduzi-la. De tudo que sei sobre ela é que ela gosta de quem a faz rir, mas, não sintética e mecânica e sim, colorida e livre. Livre. Liberdade é nome do meio. Ela é de lua com ascendente em loucura. Mas não necessariamente nesta ordem.

Há coisas sobre ela que nem a própria consegue explicar. Porém, há algumas verdades não ditas sobre o seu estrabismo emocional, bem como a sua atual dislexia sentimental. Mas isso a gente não julga.

Talvez tenha um pouco de medo de seguir um caminho paralelo e deparar-se com qualquer coisa que possa sucumbir o seus desejos mais estranhos. Medo de a trilha dar em algum norte. Em lugar nenhum. Ou, nos braços de alguém totalmente capaz de vira-la do avesso com um suspiro perto do ouvido ou um pequeno afago logo ali onde o ombro vira bochechas. E a coisa toda dar errado. Ou de dar assustadoramente certo. O risco é sempre uma escolha sem muitas opções. E deus-do-céu como essa mulher gosta de se arriscar!

Mas, ó, existe sempre uma razão na discrepância amorosa dela. Seja de derreter cada centímetro do seu corpo pequeno em fagulhas insanas de ciúmes ou, num caso mais grave, balançar o seu mundo devagar até que toda a tralha de amores antigos arrede o pé e se mande pra bem longe de sua vida maluca, deixando-a totalmente vulnerável para se entregar em outro amor forte, avassalador e residencial. Amores com prazos de validade sempre em abertos. Amores com causas perdidas. Amores de carne que a preenche de ossos. Amores de meses que podem facilmente transformar-se em anos, caso ela seja o que você sempre quis. Mas acho difícil não ser.

Pois bem, vá devagar com o andor. Não a deixe fugir antes que a primeira frase de romance seja dita. Aliás, não espere por frases tortas para se aproximar dela e de seu mundo porcamente mal frequentado. Seja uma companhia confortavelmente capaz de não fazer cobranças sentimentais. Ela precisa te amar por livre e proposital vontade. Sublinhe isso.

Ela não é chuva, é sol. Não a confunda com montanha russa, ela é abismo. Ela não é cidade, é praia. Não é passageira, é estação. Ela é como uma estação de trem no meio de uma grandíssima metrópole, dois pontos: fica ali toda dengosa e alheia esperando aflitamente por algo que a salve do caos urbano, com olhos arrogantemente castanhos, observando atentamente tudo a sua volta, quem chega, quem vai e quem fica. Principalmente quem fica. Quase ninguém. Os amores são como os trens, passam de minutos em minutos, levando consigo todas as chances possíveis, carregando os sonhos, transportando medos e deixando partes intransferíveis de si estilhaçadas em forma de garoa por seu oxigênio. Cabe a ela saber o proveito que tira ou a parte de si que pode doar. E consequentemente, as dores, as saudades, as alegrias e as lágrimas são realmente inevitáveis. Pois, rapaz, seja resiliente com o coração dela. Essa é a parte de seu corpo que ama e odeia quase sempre na mesma intensidade, proporção e grau. Por favor, sublinhe isso também.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s