Até mais

Objetos de vidros e vasos de decoração quebram. Às vezes em pedacinhos. Às vezes só fazem uma pequena e alarmante rachadura na horizontal. Mas pessoas nunca. Corações e almas continuam intactos, somente carregando em si um peso, uma dor e um enorme sentimento que mistura decepção com arrependimento. 

 E foi quando tive a minha grande certeza sobre você. Depois do beijo de afogar mágoas, um até-mais delicado com um toque na ponta do nariz. Seu corpo e nuca virando-se em direção à porta carregando pra fora de casa o melhor cheiro de corpo e nuca de todos os tempos. 

Até-mais. 

 No momento, eu não sei como reagem as outras pessoas, mas me bateu um desespero tão idiota, que me ocorreu procurar algum moço da máquina do tempo, daquele filme que a gente viu, e voltar lá atrás bem em tempo de te deixar passar. Furar o encontro. Passar a impressão errada. E assim desconhecer você. Mas com o jeito todo meu, mas, eu não perco por me despererar. Não mesmo. Na verdade, perco em outras coisas. 

 Assim como os objetos, pessoas não se quebram tão fácil, pelo menos até onde eu aprendi. Claro, não fui das melhores entendedoras de amor. Até um tempo atrás, amor pra mim era torta de frango sem catupiry. Mas também, eu não tenho culpa. Ninguém tem. Deixei você ir, simplesmente. Não era a minha intensão te fazer deisistir, mas, de fato não movi uma gota de saliva pra pedir que ficasse. Talvez “pedir” também não seja minha praia. 

 Então. 

 Então o que? 

 Teve uma briga. Falei coisas. Ouvi outras mais. Palavras estúpidas foram ditas em vozes muito altas. Teve ironia. Teve rejeição. E teve esse fim com beijo e cheiro de corpo e nunca indo em direção a outras portas. 

Até-mais. A gente disse. Porém, foi um jeito educado de implorar, ”por favor, por favor, por favor, puxa de volta”. Mas ninguém puxou ninguém. E foi onde tudo deu muito errado.

 É que ninguém me perguntou na adolescência se eu gostaria de abandonar um pouco a minha arrogância enlatada nos olhos atrás das lentes de contato, e me dispor a aprender a não ser tão “vai lá e arrasa rapaz” e sim ser mais “tu podia ficar, quero que fique”.

 E seja lá onde você esteja arrasando agora, rapaz, tenha muito cuidado com as avenidas da vida. Às vezes me faço de louca e esbarro por acaso. Mas dessa vez, prometo pendurar no pescoço uma plaquinha dizendo “estrago tua vida em três dias” para que não haja mais objetos quebrados, digo pessoas. 

 E se de certo me encontrar por aí, não finja estar tudo bem. Ninguém melhor do que eu pra saber que não tá. Mas não culpa. A gente não tem culpa. Talvez a sua nuca desgracada tenha um pouco, mas, releva-se. A verdade é que deu o que tinha que dar. Chegou ao destino que era pra chegar. Foi bom? Ô se foi. Bem bonito até. Só não foi pra sempre como você jurava. Como eu jurava. E como todo mundo apostava as fichas. Todas as fichas.

 É que nessa coisa toda não dá mesmo pra saber. A gente se ganha, e de repente se estranha, se enlouquece e consequentemente se perde. Sublinhe isso. Vai precisar de uma frase de apoio pra explicar o motivo da desordem que fiz na tua vida. E eu? Bom. Desorganizada eu sempre fui. 

 Até-mais-pra-você-também. 

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