Aos 25, Nova e Melhorada!

Agosto é o mês mais amargo, frio, longo e de precária vida financeira que eu conheço. Ô, moço. Mas agosto também é o mês que os meus primeiros vinte e cinco anos no mundo ganha vida. Digo, largada. Sejamos francos, envelhecer é melhorar. Envelhecer em agosto é melhorar o dobro de vezes. Talvez seja somente um mêzinho carente que se esqueceu de aparecer pra debutar na festa dos 15. Mas que com toda certeza subiu na mesa do bar e tomou tequila direto da garrafa nos primeiros 18.

Talvez 25 seja um número velho de mais pra debutar, com todos aqueles tules e laços e rapazes de smonkin estilhaçando minhas esperanças na vida no meio da pista de dança. Ou talvez envelhecer seja nem se importar com que vem aí. É olhar as opções e sair por ai apostando as fichas. Vai que.

Aos 20 levantei um copo de chope no alto da cabeça e pedi pra vida ter resiliência com minha história. Com 20 eu quis amar alguém que arrancasse minha lingerie vermelha com o brilho dos olhos. Nesse tempo qualquer príncipe de risada torta e sotaque egoísta me serviria. Se tanto.

Pra quem, assim como eu, amou pouco, qualquer amor  que viesse seria um belíssimo luxo. Com o passar dos anos e a nova aquisição de um pacote combo de responsabilidades, tentei pensar na carreira. Um bom emprego. Um sofá novo. Apagar o contato de certa pessoa. Bola pra frente. Parar de comprar feito louca. Praticar mais atividades físicas. Beber menos. Amar alguém que realmente valesse uma cena. Usar o cabelo mais curto.

Chegando aos 25 percebo que uma boa leva de amigos da pré-escola já casou, parei até de contar nos dedos todos àqueles que já até deram vida a novos seres humanos. E eu aqui, com o meu amor próprio sempre em dia, o dedo em riste apontando freneticamente para novos candidatos a par de sapatos e roupas bacanas em vitrines aleatórias, mas a carreira em andamento. Até já encontrei um amor desses grandões que sacode a poeira das pessoas erradas. E sigo cultivando-o, como manda a etiqueta e as previsões astrológicas mensais de Susan Miller.

Aí vai chegando agosto. Vai chegando o dia. E o plano de dormir no dia do evento ainda está de pé. Amigos cutucam para um happy hour. Cerveja? Aqueles bolos minúsculos que te servem de aniversário no bar? E a cara de quem passou a vida inteira achando que a vida é uma eterna criança, enfia aonde? Mas no fim, eu acabo vestido algo escolhido com muita cautela e ousadia e me permito amadurecer. Afinal, não se fazem vinte e cincos todos os dias.

Mas o lado bom é que 25 é a nova idade do sucesso. Li numa revista outra dia que essa nova fornada de mulheres que chega aos 25 estão com tudo, todas as decisões em dia, e eu me encaixei na descrição por que sou dessas.  Em dia com meus planos, já sei responder se vou ou não querer filhos, o casamento já não parece tão assustador e até que pode dar certo. Aos 25 já conheci todo e qualquer tipo de gente. Já sei filtrar as emoções como ninguém. Tô bem mais seletiva no que diz respeito às escolhas cotidianas. Entendo inteira e perfeitamente meus próprios gostos e já até aprendi a me diferenciar numa multidão. Fazer o quê. Tô pronta.

25 é um bom caminho andando para o sucesso, para o amor e para mim mesma.

E claro, claro, ninguém vai me impedir de subir na mesa do bar no meu agosto frio e amargo abraçada com minha garrafa de vinho 1991 e brindar: Aos 25, nova e melhorada!

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