Vida que segue

Mês passado fiz 25. Vinte-e-cinco. Falando assim, ecoa. Escrevendo assim, estou garantindo que você me entendeu, caso, claro, você seja eu e saiba a minha angústia. Mas mês passado também escrevi do meu orgulho de 25. Do quanto to melhorzinha aqui nessa idade escrota. Do quanto tudo tá muito sensacional e eu passo rindo à toa no caminho pro trabalho enquanto atrapalho o serviço árduo Dos peões de uma obra perto de casa com o meu perfume transatlântico. Mentira.

Juro de pé juntinho calçada com chinelo e meia de que esses 25 tá mesmo muito louco, algo que podemos chamar de desastre, tudo isso juntando com alguns boletos atrasados, quase dois anos sem tirar férias, projetos que sugam a alma na faculdade e mais o estresse diário que nunca deixará de existir no trabalho e nas relações interpessoais.

O que fiz de providência? Cortei o cabelo pela terceira vez em três meses e dei aquela clareada básica que todo mundo amou, exceto a dona dos cabelos. Pois. Odiei. Hahá. Mas odiei por que eu costumo odiar tudo que saia completamente fora do meu controle e da personalidade levemente puxada para o FODA-SE todo mundo.

Nos vinte-e-cinco, a gente geralmente acha que pode de tudo. Dirigir sem possuir habilitação e apesar de nunca na vida ter tocado num volante. Foda-se, tenho 25. Essa idade desgraçada ultrapassa a crise dos 20. É a idade da depressão pessoal. Com vinte a gente pede socorro e todo mundo passa a mão carinhosamente pelos nossos cabelos dizendo “mas, tadinha, ela só tem 20”. Aos 25, “nossa, mas ela já passou da idade de fazer drama né?”. PORRAN. (com aquele perdãozinho básico para falar palavrão, ah, foda-se, o blog é meu!).

Aos 25, eu estou mesmo Nova & Melhorada. Atualizada. Resolvo coisas burocráticas facilmente. O medo, aquele, passou. A paciência, aquela, foi embora. As dividas, (tantas as dividas), chega pelo correio passando por cima dos meus princípios financeiros, tudo isso sem o peito pra acompanhar a desforra. E dói tudo, inclusive a mensagem que o cartão não autorizou para a compra de uma bolsa de couro na cor preta que é exatamente tudo que procurei a vida inteira. A gente abre mão, pois roubar não é uma opção.

Outro dia saí perguntando por aí se alguém conhece alguém com tantos dramas e coisas mal resolvidas consigo mesmo, do tanto que chega apertar o corpo todo numa agonia sem fim, “não, só sei de você”. E aqui eu sigo, vivendo os dias como se fizesse alguma diferença. Com meus 25 em dia, muito bem comemorado por sinal. Com umas 5 rugas a mais na testa. Mais um problema na visão que já não é lá essas coisas. Todo mundo perguntando já de quando sai o casório, de quando o bebê, enquanto o meu diploma e aquela bolsa preta são minhas únicas aspirações no momento.

Como diz os grandes nomes da literatura meme da internet “a vida é chorar e pagar boleto”. Aqui eu sigo. Aos 25, velha e endividada!

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