Por essa vez, eu não vou ficar!

Se formos levar em conta, na pontinha da caneta mesmo: todos os amores são iguais, exceto aqueles que não nos deixam seguir em frente com o sorriso nervoso de primeira chance. E amores diferentes quase nunca são confiáveis e são exatamente por esses tipinhos banais que me deixo levar. Olha só para você. Todo inteiro, cara, coragem e coração. Do tipo que não sangra por tão pouco. A risada grande, dessas de comercial de carro. Todo você, de cara lavada mesmo. Contando amenidades, falando de coisas desimportantes como se fosse você o ser humano mais sensacional da espécie.

Mas, ò, pra mim já chega, rapaz. E nem adianta vir com I still love you, oh, I still love you dos Smiths. Eu não quero mais você. Já faz tempo que parei de descrever minha vida com a maneira que você me olha miúdo, como quem pede colo. Embora eu quisesse muito nós dois, até querendo milhares de vezes em dobro, nunca pude querer por você. E eu parei de imaginar nós dois lá na frente sendo infinitamente feliz assim como dizem as músicas, os livros e os filmes que topei pela vida. Vida essa que você fez uma enorme questão de tatuar o sabor do teu beijo e a maciez da tua bochecha infernal bem no meio das minhas lembranças bagunçadas.

Tudo que eu queria te dizer, é, na verdade, tudo que queria poder mudar, mas não foi, não das centenas de vezes em que venho tentando. Então, entrego as fichas, congelo a bola no meio do jogo, game over para mim. Pode comemorar, a vitória é toda sua. Me arrasou mil vidas, me atravessou mil corações. Desfez de todas as minhas caras amassadas de noites maravilhosas que um dia jurei ter sempre só contigo. Me derrotou por dentro. Você é realmente um puta cara do caralho. Gol para você, e dessa vez, eu não estou aqui pra comemorar suas vitorias com aquela minha fé de sempre em você.

Você finalmente vai conseguir aquele emprego dos sonhos que vive falando, e eu não vou estar lá para te ajudar a se concentrar para a entrevista. Todas as coisas que daqui em diante for acontecendo em tua vida, eu não vou dividir a felicidade do momento contigo. É você, você e você.

Nós dois juntos, não vamos mais render canções, seriados na Netflix e novidades. Eu volto para minha vida doidinha e cheia de banalidades aleatórias que eu invento para mudar as minhas histórias. Você volta para sua vida de não lembrar o nome da vadia chata da balada passada.

O fim é realmente muito perturbador, a gente olha para a pessoa, pede para o universo trazer aquele abraço quentinho para dentro de nossa vida imperfeita, troca alianças, jura na frente de todo mundo que vai amar para sempre, e, de repente, temos que apagar essa parte da vida, uma parte da vida na qual houveram outras coisas que não você, mas somente você é quem fica na porcaria da memória.

Mas, hey, olha aqui. Não estou acabando assim para que você se arrase atrás de mim, se enlouqueça por qualquer assunto que carregue um fio de cabelo meu nas frases oblíquas. Não quero que abra o peito e faça Coldplay cantar de dentro do teu ser aquela canção melancólica do clip da praia. Só quero que me deixe ir dessa vez. E que me deixe realizar a promessa que sempre fiz a nos dois. Me deixe ir assim, leve, quieta, com o meu frescor. Deixa eu recolher os meus cacos, catar as minhas chaves, o meu casaco, minha escova de dentes e minha vida de dentro da tua. Simplesmente, eu preciso ir, dessa vez e para sempre sem portar você aqui no peito.

 

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